MARTA, MARTA
Compreendo o olhar de Marta, indiferente.
A que aceita juramento da espada. Anterior ao amor,
Anterior às horas que seriam minhas ou suas. É assim,
Amigo, a fidelidade de Marta. Porque Marta jurou amor,
O anjo jurou riqueza. Nada podemos, amigo, contra o
Anjo, o necessitado, o que está reunindo esplendor.
Material para lhe ofertar, no regresso. Que vale suplicar
A Martha a doçura de seus lábios, se o seu olhar
Não se atreve a ver outro rosto? Que vale, amigo, o
Seu sorriso nos bailes e nos passeios de barca, se a
Sua presença nem mesmo é real? Se conhece apenas
A promessa do anjo, o ausente, o necessitado,
O que jurou riqueza, o que nada mais podia fazer com sua
Vida, quando Marta lhe jurou amor.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
quarta-feira, 16 de julho de 2008
MARÇO, UM SÓ
Quando os caminhões voltaram da roça
E as mulheres que tinham ido cortar arroz
Na várzea batiam na cabina e pediam para o chofer
Pelo amor de Deus não passe no jardim
(deveras florido) porque levavam
Aquela certeza carnal, suor e pó,
Elas que cortaram arroz e apanhavam algodão
E quebravam milho e que sabiam cortar o sol
Nos espelhos, como fazem as grandes damas,
Após o banho, à tarde. Março, um só,
Quando aquelas pobres mulheres, virgens,
Em cima daqueles caminhões gigantes
Tinham vergonha de seus braços, de suas mãos
E de seus lábios, tinham vergonha do amor
Que podiam oferecer ao mais insignificante dos
Homens e recusavam-se a sorrir
Pelo amor de Deus não passe, não passe.
Quando os caminhões voltaram da roça
E as mulheres que tinham ido cortar arroz
Na várzea batiam na cabina e pediam para o chofer
Pelo amor de Deus não passe no jardim
(deveras florido) porque levavam
Aquela certeza carnal, suor e pó,
Elas que cortaram arroz e apanhavam algodão
E quebravam milho e que sabiam cortar o sol
Nos espelhos, como fazem as grandes damas,
Após o banho, à tarde. Março, um só,
Quando aquelas pobres mulheres, virgens,
Em cima daqueles caminhões gigantes
Tinham vergonha de seus braços, de suas mãos
E de seus lábios, tinham vergonha do amor
Que podiam oferecer ao mais insignificante dos
Homens e recusavam-se a sorrir
Pelo amor de Deus não passe, não passe.
terça-feira, 15 de julho de 2008
VILA ISAURA, ERA DOMINGO
No meu calendário. Lá eu tinha
Minha gaiola, meu alçapão e minhas intenções,
Aos pés de uma goiabeira branca. Estranharam
Eu não ter comprado aquele sol, sobre o chão,
Quando o venderam em datas.
Seria fácil ter ali uma casa, ou dezena delas,
Para realças meu espírito de proprietário.
Não comprei o chão de Vila Isaura.
Mas lá deixei as penas do pássaro,
Os domingos que transformavam o tédio em ouro,
O sol numa peneira velha e o retrato de uma pobre
Almoçando arroz com feijão
No meu calendário. Lá eu tinha
Minha gaiola, meu alçapão e minhas intenções,
Aos pés de uma goiabeira branca. Estranharam
Eu não ter comprado aquele sol, sobre o chão,
Quando o venderam em datas.
Seria fácil ter ali uma casa, ou dezena delas,
Para realças meu espírito de proprietário.
Não comprei o chão de Vila Isaura.
Mas lá deixei as penas do pássaro,
Os domingos que transformavam o tédio em ouro,
O sol numa peneira velha e o retrato de uma pobre
Almoçando arroz com feijão
quinta-feira, 10 de julho de 2008
Setembro
Quanto mais Setembro
Mais chuva arco íris na tarde
Mais amor. Noite cálida, noite
Do solteiro bom partido, noite
A teu lado, nua flor. Setembro,
Aurora do meu Wolks na rua, e teu sorriso,
E teu corpo – que importa justificar os erros?
Quanto mais setembro mais amor,
Mais sonharemos pelas alamedas floridas
E a sorte dos baralhos menos pesará sobre nós,
Menos sentiremos a amargura das ambições.
Noite cálida do solteiro bom partido,
Noite a teu lado, nua flor.
Mais chuva arco íris na tarde
Mais amor. Noite cálida, noite
Do solteiro bom partido, noite
A teu lado, nua flor. Setembro,
Aurora do meu Wolks na rua, e teu sorriso,
E teu corpo – que importa justificar os erros?
Quanto mais setembro mais amor,
Mais sonharemos pelas alamedas floridas
E a sorte dos baralhos menos pesará sobre nós,
Menos sentiremos a amargura das ambições.
Noite cálida do solteiro bom partido,
Noite a teu lado, nua flor.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
CANTIGA
Se me quer saudade, retrato ou carta,
Se me quer para contar às outras, em segredo
Irei embora, a despedida será última.
Se me quer futuro, se me quer pela lágrima
De sua solidão, irei embora, não sei chorar.
Não quero a sua casa, por senti-la vazia.
A sua boca, por ter sido palavras.
Se me quer amor, não me ame,
Não me ame por estar só, não me ame
Por ter sofrido. Poderei mentir se amar
Desse modo, se me quer saudade já sou saudade,
Irei embora para ser a sua dor
Se me quer para contar às outras, em segredo
Irei embora, a despedida será última.
Se me quer futuro, se me quer pela lágrima
De sua solidão, irei embora, não sei chorar.
Não quero a sua casa, por senti-la vazia.
A sua boca, por ter sido palavras.
Se me quer amor, não me ame,
Não me ame por estar só, não me ame
Por ter sofrido. Poderei mentir se amar
Desse modo, se me quer saudade já sou saudade,
Irei embora para ser a sua dor
domingo, 6 de julho de 2008
Poema
POEMA
Se vou falar de amor
Deixa tuas mãos entre as minhas
E os teus olhos nos meus.
Se eu não tiver palavras para tudo,
Como de fato não terei,
Convida-me a sonhar,
Inclina teu rosto para mim
E deixa que eu colha em teus lábios
A certeza de que sempre te amarei.
POEMA
Si voy hablar de amor,
Deja tus manos entre lãs mias
Y tus ojos em los mios.
Si no tuviera palabras para todo,
Como de cierto no las tengo,
Convidame a sonãr
Inclina tu rostro hacia mi
Y deja que to tome de tus lábios
La certeza de que siempre te amare
Se vou falar de amor
Deixa tuas mãos entre as minhas
E os teus olhos nos meus.
Se eu não tiver palavras para tudo,
Como de fato não terei,
Convida-me a sonhar,
Inclina teu rosto para mim
E deixa que eu colha em teus lábios
A certeza de que sempre te amarei.
POEMA
Si voy hablar de amor,
Deja tus manos entre lãs mias
Y tus ojos em los mios.
Si no tuviera palabras para todo,
Como de cierto no las tengo,
Convidame a sonãr
Inclina tu rostro hacia mi
Y deja que to tome de tus lábios
La certeza de que siempre te amare
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